Aqui você se encontra!

A Depressão e a Ansiedade são Sinais de Luta, não de Fraqueza

mulher-ansiosa
  • 03 de Abr de 2018
  • Sheila Almeida
  • 607 Visualizações
  • Seja o primeiro a comentar

Quantas (e repetidas) vezes na vida se falou – e se ouviu – o mandatório “não fica assim, não”? Assim como? Triste, recolhido(a), solitário(a), apático(a), sem energia, sem perspectiva? Entre uma recomendação e outra, o “assim” tem se tornado uma sensação intransigente nas nossas vidas: melhor que o “assim” não invada nossa rotina e os dias de quem amamos. Que fique bem longe, que deixe de nos mostrar nossas limitações, que pare de impedir nossa produtividade.

De um lado, temos estatísticas e um urgente problema de saúde pública mostrando que a depressão afeta cerca de 350 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Só no Brasil, estima-se 11 milhões de pessoas. De outro lado, dúvidas, muitas dúvidas: quando o “assim” diz respeito a uma tristeza e quando devemos suspeitar de depressão? E se o “assim” se torna uma condição mais duradoura do que se imaginava ou se gostaria?

Entre números tão expressivos e o estigma sobre o assunto, fica evidente que a depressão precisa ser pensada com delicadeza e seriedade, muito além de dados estatísticos. Relatórios numéricos, quantidade de diagnósticos e recenseamento da saúde mental nos dizem pouco (ou quase nada) sobre a realidade difícil e particular de cada pessoa que lida com a chamada “doença da alma”. A depressão e a ansiedade não são sinônimos de fraqueza. Tampouco são consequências de escolhas pessoais. Não podemos decidir se queremos ou não que essas condições nos acompanhem.

Não são sinais de fraqueza, nem de fragilidade ou pobreza de espírito. Tampouco são sinais de rendição ou negligência. De fato, poderíamos dizer que são sinais de luta, de enfrentamento perante as adversidades da vida ou perante situações pessoais muito incômodas e dolorosas, perdas, experiências negativas e incertezas. A depressão e a ansiedade não são escolhas pessoais. Pode acontecer com todos nós. Um determinado dia nos damos conta de que as coisas perderam o sentindo que tinham, que já não há nada que nos anime ou motive, torna-se difícil levantar-se da cama, um sentimento profundo de tristeza ou irritabilidade aparece.

Ao mesmo tempo pode ocorrer que tudo nos cause agonia ou nos esgote, que nossa respiração acelere de repente e que nos sintamos incapazes de enfrentar a vida de maneira sincera. De alguma forma nos sentimos derrotados pelas circunstâncias, sem força nem vontade. Esse estado vem e vai, ou está conosco de maneira permanente. Então começamos a pensar que talvez teríamos que consultar um especialista que nos explique o que está acontecendo, que fomos invadidos por uma profunda tristeza ou uma tremenda inquietação que nos faz sentir incapazes de lidar com o dia a dia.

Existe uma falsa crença de que a ansiedade e a depressão são sinais de fraqueza e de incapacidade diante da vida. Mas, não, uma pessoa com depressão, ansiedade ou sintomas mistos não está louca ou tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros. É triste e cansativo lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar . Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade.

Em nossa sociedade há uma grande crueldade em torno das dores psicológicas e emocionais; estas são consideradas de menor valor numa ordem de importância. Na verdade, é muito aterrador o baixo valor que se dá a nossa saúde psicológica. Do mesmo modo que não nos ocorreria ignorar uma dor física contínua e aguda, não podemos nunca ignorar as dores psicológicas. Devemos dar a importância merecida a nossas feridas emocionais, porque o mal estar psicológico requer um tratamento para uma cura, um trabalho e um apoio que são imprescindíveis para que passe.

Deixe um comentário