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A Responsabilidade Sexual

homem-mulher
  • 26 de Jul de 2016
  • Sheila Almeida
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Na tradição espiritual, fala-se da unidade do corpo e do espírito. Tudo o que sucede ao corpo, sucede também ao espírito. A saúde do corpo é a saúde do espírito; a falta de respeito pelo corpo é falta de respeito pelo espírito. Quando se sente raiva, poder-se-ia dizer que esta se situa ao nível das emoções e não no corpo, mas não é verdade. Quando se ama alguém, se quer estar perto dessa pessoa, mas se se sente raiva em relação a ela, não se quer tocá-la nem se quer que ela nos toque. Não se pode dizer que o corpo e o espírito estejam separados.

Uma relação sexual é um ato de comunhão entre o corpo e o espírito. É um encontro muito importante que não deve ser considerado de forma leviana. Existem zonas íntimas na alma – recordações, dor, segredos – que as pessoas não gostam de partilhar a não ser com a pessoa que mais amam, aquela em que mais confiam, pois não abrem o coração a qualquer um, assim como existe um lugar semelhante em cada alma do qual ninguém se aproxima a não ser aquele(a) que mais amam.

O mesmo acontece com o corpo. Há lugares do corpo de que as pessoas não deixam ninguém se aproximar, a não ser aqueles que respeitam e amam, aquelas em que depositam total confiança. Quando outros indivíduos as tratam com descuido ou negligência, sem nenhuma ternura, sentem-se insultadas no corpo e na alma. Alguém que as considera com respeito, ternura e solicitude, oferece uma comunicação profunda, uma profunda comunhão. É a única forma dessas pessoas não se sentirem magoadas, exploradas ou que abusadas. Mas para que tal aconteça, é preciso que o amor e o compromisso sejam verdadeiros. Uma aventura sexual não é amor. O amor é profundo, belo, inteiro.

Nas relações sexuais, o respeito é um dos elementos mais importantes. A comunhão sexual deveria ser como um rito, um ritual cumprido com plena consciência, com respeito, atenção e amor. Se existe apenas desejo, não se trata de amor. O amor é muito mais responsável. No amor, há a preocupação com o outro. Um “compromisso de curta duração” significa que se pode estar juntos durante alguns dias, mas a relação terminará em seguida. A expressão “compromisso de longa duração” ajuda-nos a compreender a palavra “amor”. No contexto do verdadeiro amor, o compromisso só pode ser de longa duração. “Quero amar você. Quero ajudar você. Quero tomar conta de você. Quero que você seja feliz. Quero contribuir para a sua felicidade. Mas apenas por alguns dias.” Será que isto faz algum sentido?

Na sociedade atual, o sentimento de solidão é universal. Há pouca comunicação entre as pessoas, mesmo no seio da família, e o sentimento de solidão as leva a ter relações sexuais. Acreditam, ingenuamente, que assim se sentirão menos sozinhas, mas isso não é verdade. Se não há comunicação suficiente com o companheiro, a nível do coração e do espírito, uma mera relação sexual apenas alargará o fosso entre os dois e os poderá afastar. Será uma relação tempestuosa e causará sofrimentos mútuos. Acreditar que uma relação sexual vai ajudar as pessoas a se sentirem menos sós é um equivoco grave. Não devem cair nessa armadilha porque se sentirão ainda mais sós depois.

Todo o amor pode começar pela paixão, sobretudo nos jovens. Mas a partir do momento em que duas pessoas estão juntas, é preciso aprender e praticar o amor de tal forma que o egoísmo – a tendência para a posse – diminua e os elementos da compreensão e da gratidão se instalem pouco a pouco até que o amor os consiga alimentar e proteger. Por vezes, pensa-se em amar alguém, mas este amor não passa de uma tentativa de satisfazer as necessidades egocêntricas. Talvez não tenham olhado com a profundidade necessária para verem as necessidades do outro, incluindo a sua necessidade de segurança e de se sentir protegido. Se se tomar consciência disso, poderá se ver que o outro tem necessidade de proteção e que, consequentemente, não se pode considerá-lo um simples objeto de desejo.

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