Aqui você se encontra!

Emoções Básicas e Relações Afetivas

mae-filho
  • 15 de Jun de 2016
  • Sheila Almeida
  • 772 Visualizações
  • Seja o primeiro a comentar

O medo, a raiva, a alegria e a tristeza são as quatro emoções básicas do ser humano. Todos nós as sentimos em qualquer época, idade e cultura. Estas emoções não estão em nosso dia a dia por uma questão arbitrária ou de capricho, mas sim porque desempenham o papel principal em nosso desenvolvimento psicológico. Isto significa que elas servem para nos avisar e guiar na conservação do nosso organismo e na socialização com os demais. O que é importante recordar é que todos temos medo, sentimos raiva, bem como nos alegramos e nos entristecemos, porque desta maneira a mente e o corpo se desenvolvem e nós podemos transcender como seres humanos e nos socializarmos.

Temos aprendido (e o seguiremos fazendo) através de nossas emoções. Portanto, se você teve uma linda fase em sua vida, onde tudo era felicidade, é provável que isso tenha formado a sua personalidade, assim como se você passou por um acontecimento que lhe entristeceu muito ou algo que causou muita raiva ou temor. Isto se deve ao fato das emoções serem informações muito úteis; elas nos permitem saber como estamos aqui e agora, sendo um guia de aprendizagem para a nossa vida, para que possamos nos compreender e para sabermos como continuar, se prestamos atenção nelas.

Não existem emoções boas ou ruins. O que existe são emoções que podem ser mais ou menos agradáveis. Cada uma delas tem uma função específica e todas são necessárias. Mas, quais funções têm as emoções básicas? Analisaremos as quatro emoções básicas para que possamos conhecer a função específica de cada uma delas em nossas vidas.

Medo

É uma emoção conhecida pelos estudiosos como “reação de contração”. Encontra-se incluída no grupo das emoções reflexivas e sua função é nos advertir sobre a presença de um perigo, seja de fazer ou de causar em nós algum dano. O medo nos permite avaliar qual é a capacidade que possuímos para enfrentar as situações que percebemos como ameaças.  Se aprendemos a conhecer o medo primeiro e a gerenciá-lo depois, experimentamos a prudência e afastaremos o pânico, a fobia ou a temeridade.

Alegria

Também conhecida como “emoção de expansão”. Cumpre a função de nos ajudar a criar vínculos com os demais, por isso se encontra entre as emoções expansivas.  Pode ser manifestada de diversas maneiras, sendo as mais frequentes a ternura, a sensualidade e o erotismo. Se gerenciarmos bem a alegria, poderemos atingir a serenidade e a plenitude. Se não soubermos manejá-la, ela nos conduzirá para a tristeza, a euforia ou a frustração.

Tristeza

Encontra-se no grupo de emoções de contração e é conhecida como a mais reflexiva de todas. Evoca sempre algo que ocorreu no passado e sua função é nos ajudar a estarmos conscientes de uma coisa, situação ou pessoa que perdemos ou sentimos falta. A tristeza também serve para soltarmos e deixarmos ir o que não nos pertence ou nos faz mal. Por último, outra das funções da tristeza é a de permitir que aqueles que nos cercam possam nos acompanhar, evitando que nos tornemos muito vulneráveis ou dependentes.

Raiva

É a segunda emoção mais expansiva. Trata-se de um impulso, de mandar para fora o que nos aborrece, o que acreditamos ser injusto ou o que está nos fazendo mal. A raiva implica em uma sobrecarga de energia que, em ocasiões, nos ajuda a cumprir a realização do que queremos ou nos assegura da necessidade de ameaça. Por isso, não deve ser considerada sempre como negativa. O que ocorre é que, às vezes, em vez de nos ajudar a resolver o que está se passando, converte-se  em um problema a mais se levamos sua expressão ao extremo. Mas atenção: para isso, devemos reconhecê-la, aceitá-la e gerenciá-la corretamente.

Uma vez que estivermos conscientes de nossas emoções e aprendermos a viver com elas, será mais simples nos darmos conta de que são todas importantes para a nossa vida. Como as suas emoções básicas estão afetando sua relação afetiva? Com que frequência vocês conversam sobre os sentimentos de cada um? Será que não está na hora de esclarecer algumas insatisfações para não se somarem em ressentimentos e mágoas? Mas, quando for conversar fique atento em alguns comportamentos, porque alguns fazem com que fiquemos mais próximos do outro, enquanto outros apenas nos afastam. Vejamos os comportamentos que afetam, a  longo prazo e de forma positiva, o relacionamento amoroso:

 - Voltando-se na direção do outro. 

Significa responder de maneira positiva às necessidades emocionais do outro. Isso facilita que com o tempo, desenvolvam relacionamentos estáveis e duradouros.  Voltar-se para o outro gera menos conflitos, porque ambos estão numa relação tendo as conversas que precisam ter. Conversas essas que demonstram o interesse e a preocupação que sentem um pelo outro.  É evidente que nem sempre conseguimos estar atentos às necessidades do outro 24 horas por dia, todos os dias. Mas se quisermos estabelecer um vínculo emocional mais profundo com alguém, volte-se na direção dessa pessoa o mais frequentemente que puder. Mesmo quando estiver magoado, triste, zangado, frustrado, porque o relacionamento entre vocês se tornará mais sólido. 

 - Há necessidades emocionais comuns a todas as pessoas.

 Todos querem sentir-se parte de algo, ter a sensação de controle da própria vida, ser amado. Quando essas necessidades são satisfeitas há a manutenção do vínculo emocional e uma melhor qualidade no relacionamento. Ou seja, se o casal é capaz de continuar a se voltar um para o outro de modo satisfatório, o vínculo existente se fortalecerá. 

- Enfrentamento de situações difíceis

Há momentos em que um pode estar enfrentando uma situação particular difícil, como dificuldade financeira, falta de trabalho, uma doença, a perda de uma pessoa querida; muitos, nestes momentos, afastam-se  ainda mais, quando o melhor, para ambos, é se aproximar e contar com o apoio do outro.  Seja o que você estiver enfrentando, não precisa fazer isso sozinho, quando se tem alguém ao lado. Compartilhar o que está sentindo pode não resolver todos os problemas, nem fazer desaparecer a dor, mas compreensão e empatia podem ajudar muito a enfrentar este momento, fortalecendo ainda mais a relação.

- Histórico de vida de cada um

 É importante salientar que a tendência em criar e manter o vínculo emocional também é determinado pelo histórico de vida, principalmente na maneira como fomos educados e tratados quando criança. Muitos fatores influenciam a disposição de uma pessoa se voltar na direção de quem é importante em sua vida, como o modo em que as emoções eram tratadas no lar em que foram criadas. Aprender a reconhecer e voltar-se para as necessidades emocionais do outro podem ajudar a criar um ambiente familiar mais estável e carinhoso. Examine o seu passado e como pode ter criado suas necessidades e a maneira de lidar com cada uma delas. 

- Verbalize ao outro as suas dificuldades

 Verbalize ao outro suas dificuldades, deixando claro que não tem a obrigação de resolvê-las, mas que tenha o cuidado de não acentuar o que para você é tão difícil de superar. Por exemplo, uma pessoa que tenha tido um pai muito autoritário, provavelmente terá dificuldade em lidar com situações de autoritarismo. Quando o outro por algum motivo agir como esse pai, certamente irá mobilizar sentimentos que está tentando superar. Por isso é importante conversar, fazer com que o outro saiba como se sente diante de certas situações e atitudes.

- Quando cometer algum erro

 Se ambos estão dispostos a aprender, a prestar atenção e mudar de direção quando cometem algum erro, é provável que consigam melhorar o relacionamento.  A necessidade de pedir desculpas, fazer ajustes, não é humilhação, fraqueza, mas sim um sinal de maturidade e demonstra que as pessoas dão valor umas às outras e estão dispostas a vencer os obstáculos para permanecer juntas. Pode acontecer ainda de apenas um estar atento às necessidades do outro. Com certeza, não seria uma situação nada saudável, e também pode afetar o relacionamento. É imprescindível que ambos estejam dispostos a agir na mesma direção. 

Existem também os comportamentos que afetam a longo prazo, de forma negativa, o relacionamento amoroso.

 - Ir contra o outro 

Significa responder a uma necessidade de maneira negativa. Como dar uma resposta com comentários maldosos, com ar de superioridade; ofensas; respostas agressivas, que são provocadoras ou contestadoras; respostas críticas; ataques ao caráter da pessoa; ser irônico;  humilhar; ser agressivo em gestos ou palavras; desconsiderar; desrespeitar. Isso tudo faz com que o outro se feche, reprima seus sentimentos,  gerando distância que causa separação. Independente da origem, voltar-se contra as necessidades do outro, faz com que os sentimentos sejam reprimidos e o relacionamento possa terminar, mesmo que demore um pouco.

- Afastar-se do outro

 É quando não se presta atenção às necessidades emocionais de outra pessoa, sendo indiferente, ou tendo como resposta o silêncio. Ou enquanto um fala algo o outro continua fazendo outra coisa, não se voltando em direção à pessoa. Por exemplo, quando a pessoa está dizendo algo e o outro continua lendo, assistindo televisão ou olhando para o computador e dá uma resposta qualquer. Acontece também quando a resposta se refere a outro assunto. Ou seja, a pessoa não ouviu o outro, não está interessada no que o outro está dizendo, ou ainda quando há como resposta apenas o silêncio, como se o outro nada tivesse falado.

- Manter-se distanciado do outro

 O afastamento é na verdade destrutivo, pois o conflito se intensifica, gera sentimentos de mágoa, perda da segurança e o relacionamento tende a terminar logo. É preciso considerar que algumas pessoas sentem muita dificuldade em falar sobre seus sentimentos, principalmente quando isso não foi estimulado no ambiente familiar. Por isso, algumas reações estão relacionadas em como as emoções eram tratadas na família de origem. Mais uma vez é conversando que surge o entendimento, seja do histórico de vida de cada um, seja das relações afetivas anteriores, pois tudo isso pode contaminar o atual relacionamento. 

- Deixar de ser atencioso

 Quando você é atencioso consegue perceber ao longo da convivência as necessidades emocionais da outra pessoa e responder a ela. Sempre que fazemos uma pergunta, temos um gesto, um toque, em direção a outra pessoa, esperamos uma resposta. Isso é natural, e quando não há, ficamos frustrados, decepcionados ou magoados.

- Parar de avaliar a relação

 Avalie sua relação e o vínculo emocional entre vocês. A demonstração de querer bem, abrir espaço para ouvir e ser ouvido, sem criticar, sem julgar, mas com o desejo sincero de um compreender o outro, com certeza facilitará a formação de vínculos e preparará o caminho para um relacionamento mais profundo e significativo. 

Deixe um comentário