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"Inveja Destrutiva" X "Inveja Construtiva"

inveja-trabalho
  • 21 de Mar de 2017
  • Sheila Almeida
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Do latim in-videre, significa olhar com maus olhos, projetar sobre o outro um olhar malicioso. Traduzindo para linguagem atual, tem o significado de viver em ressentimento ao presenciar a felicidade, prosperidade e sucesso dos outros, considerar-se excluído “injustamente” do ter e ser, caso já tenha, afirma o usufruto exclusivo.

Aquele que testa esse sentimento demonstra ser um indivíduo que vive em constante estado de insatisfação, uma vez que no invejar não há sombra de prazer, apenas frustração. A Inveja pode ser definida como um estado de espírito, dominado pelo desejo alternado de possuir algo que outra pessoa tem, e o desejo de destruir o que o outro tem ou representa.

Portanto a Inveja é caracterizada como desejo ambivalente: ter o que os outros têm, desejando que estes percam o que possuem. Em ambas as opções, comparando sua situação com a da Inveja das pessoas é o núcleo central em torno da existência da pessoa que é invejada. A Inveja se torna patológica quando os desejos para prejudicar o outro se tornam ações concretas.

No entanto, mesmo para além de casos em que a Inveja não é claramente patológica, é bom atentar ao fato de se tratar de uma sensação dolorosa, da qual é difícil obter uma lógica através pensamento racional. A Inveja é nociva para aqueles que experimentam, pois envolve sentimentos negativos, como a hostilidade, ressentimento e ódio.

Este parentesco com ódio mais ou menos intenso, fez com que a Inveja não fosse negligenciada pela religião e literatura. Na religião católica, por exemplo, a Inveja é um dos sete pecados capitais, diretamente contrária à virtude da caridade. Para os budistas é um fator mental que pode levar ao ódio, é essencialmente um mecanismo de defesa ativado quando o indivíduo sente-se inferiorizado em comparação com o outro, no que essa pessoa tem, e no que esta pessoa representa.

As definições sobre a Inveja que oferecem os diversos filósofos no decorrer da história concordam notavelmente entre si. Na tradição aristotélica, ela é uma dor causada pela boa fortuna que goza alguns dos semelhantes. Para São Tomás de  

Aquino a Inveja é: “A tristeza do bem alheio enquanto se considera como mal próprio, porque diminui a própria glória ou excelência”.

É fato que esse processo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são frequentes. A sociedade partilha também responsabilidades neste processo: desde muito cedo as crianças são comparadas com aquela que é mais bonita ou com aquele que tira boas notas. Essas críticas comparativas geram um sentimento de inferioridade que faz sentir incapazes de obter o que o outro tem. Na escola, na família ou na sociedade em geral a competição baseada na ideia de que o outro não pode ser melhor acaba por gerar insatisfação, fazendo crescer na sociedade um sentimento geral de competição.

A Inveja surge da relação em comparação com o outro, uma dinâmica social importante, pois é através do outro que o homem se afirma, quando conduzido de forma saudável. Antes que a pessoa possa desejar algo que não percebe, é o outro que gera esse desejo. Ao comparar o conhecimento que brota dessa falha, é a partir desta observação que podem surgir sentimentos negativos para si e para com os outros: um sentimento de inferioridade, inadequação, frustração, desamparo, raiva e ódio mediante a superioridade do outro. A partir deste momento não é possível perceber os próprios recursos, capacidades e oportunidades, o pensamento se volta no sentido de desvalorizar o outro para evitar a queda de seu próprio valor.

Desvalorizar o que “não” é possível obter é uma estratégia desenvolvida para compensar as limitações. Alguns pesquisadores têm mostrado que aqueles que sentem Inveja são incapazes de estabelecer relações positivas com os outros, permanecendo presos em sentimentos como ressentimento, ódio e vergonha. Na base há um sentimento de insegurança que leva à baixa autoconfiança, uma baixa autoestima e um tipo de lócus de controle externo.

A Inveja é sempre vista com uma conotação negativa, mas do lado da ” Inveja Destrutiva” há a “Inveja Construtiva”. O invejoso tem um grande sentido crítico e admiração por algo que não é ou não tem. As pessoas invejosas possuem considerável poder de observação. Utilizando esta opção para lidar uns com os outros e viver a riqueza da diferença reconhecendo desejos, explorando possibilidades, aceitando limitações, pode ser um impulso para melhorar, ao invés de se sentir frustrado e denegrir o outro.

“Se ele/ela é assim, por que não eu?” Se torna uma motivação para a ação, uma competição saudável que estimula ir além, sair da zona de conforto. “Se ele/ela pode, eu também posso”. A Inveja, em seguida, evolui para uma possibilidade de avançar, ser confiante e assumir a responsabilidade para agir, crescer e realizar.

A Psicologia da Inveja ensina a tomar consciência da força dual (negativo e positivo) desse sentimento, dá a oportunidade de olhar para isso em termos de oportunidade e produtividade. Aprender a ler o lado favorável das emoções, que informação útil elas transmitem. Construtivamente gerenciar a Inveja significa reconhecer e expressar de acordo com uma atitude positiva de desenvolver a capacidade de ironizar, para rir de si mesmo, para examinar os pensamentos de inferioridade e descobrir onde eles se originam, se conhecendo melhor. Assim, ao sinalizar os objetivos torna-se possível se comprometer a transformar os limites em recursos para uma aceitação incondicional de si mesmo.

Estudos em Psicologia confirmam que há uma tendência a invejar pessoas próximas (irmãos, irmãs, amigos, colegas, vizinhos, etc.) . São invejadas as pessoas que são chegadas no tempo, lugar, idade e reputação. Isso acontece por duas razões: primeiro porque a proximidade faz com que as comparações sejam mais fáceis e mais frequentes, e em segundo lugar, porque é partilhada a mesma visão da vida, as diferenças logo se transformam em uma ameaça para a estimativa de si.

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