Aqui você se encontra!

Medo Da Intimidade Com O Outro

casal-presente
  • 18 de out de 2016
  • Sheila Almeida
  • 1061 Visualizações
  • Seja o primeiro a comentar

Podemos definir a expressão "amores errados", como aqueles relacionamentos que trazem mais dor do que bem estar. Não existe erro no amor. Aliás, certo e errado são referenciais que não combinam com seres humanos, pois não são tão exatos quanto a matemática. Já se ouviu falar de casais que não foram capazes de manter a sua relação porque um deles se mostrou não preparado para as vicissitudes de um compromisso sério. Na maior parte destas histórias é o homem que revela esta incapacidade para se comprometer, mas também existem exemplos de mulheres que, mesmo que não o assumam abertamente, põem fim às suas relações (ou empurram-nas para a ruptura) porque têm medo do compromisso.

O medo de compromisso pode ser de fato um problema patológico muito semelhante ao da claustrofobia. Esse mal atinge, de forma mais expressiva, o sexo masculino. Depois de muitos estudos pesquisadores chegaram à conclusão de que muitos homens, apesar de amarem suas namoradas e sentirem a falta delas, enxergam o compromisso como uma prisão. Ao ponto de naufragarem seus potenciais relacionamentos, mesmo que alguns consigam passar pelo momento decisivo do casamento.

Assim, os pesquisadores dividem o processo em quatro fases:

  1. Ele faz de tudo para ter você.
  2. Agora que ele a tem, isso começa a assustá-lo.
  3. Neste ponto, é você quem o quer, o que faz com que ele fuja.
  4. O relacionamento termina e você não entende o motivo.

Isso acontece devido à fobia que estes homens desenvolveram em relação ao que o compromisso pode significar. Em outras palavras, tal como o pânico que alguém possa sentir ao ficar preso num elevador, fazendo-o se esquecer dos benefícios dessa máquina, quem é atingido por esta sensação não consegue ver o lado bom do relacionamento e nem da pessoa com a qual está. A única coisa que deseja é sair correndo. O que faz com que muitos relacionamentos terminem, apesar de haver muito sofrimento durante o processo, já que depois que o homem fica um tempo separado de seu amor, o mecanismo de autodefesa diminui e ele volta a procurá-la, querendo retomar a relação. Infelizmente, tão logo se sinta preso ao compromisso, o pânico novamente se instala e o processo se repete várias e várias vezes.

O problema disso tudo é que geralmente a mulher não compreende o que acontece na mente desse homem. Afinal, como vimos nas quatro fases acima, quem deu início ao relacionamento e fez questão de estar o tempo todo com ela foi ele. Então, por que a mulher que estava cheia de promessas agora tem que lidar com a rejeição inexplicável e todos estes altos e baixos? Como o amor dele simplesmente sumiu de uma hora para outra? Na verdade, o sentimento em si não desaparece. Pois a reação que o homem tem quando seu medo é acionado é puramente irracional e instintiva, tal como quando fugimos de um perigo iminente. Desse modo, por mais que ele perceba que está errado, lidar com esta sensação e resolvê-la sozinho pode ser muito difícil. Portanto, em muitos casos é recomendado terapia para que haja o desbloqueio desse trauma.

Porém, neste ponto é preciso ressaltar que nem todos os homens cujos relacionamentos terminam dessa forma sofrem desse mal. Alguns simplesmente não amam mais suas mulheres. Então, como identificar quando o comportamento anômalo de seu amor é causado por esta fobia? Veja as dicas abaixo:

  • Ele costuma dizer uma coisa e fazer outra.
  • Ele faz e desfaz planos com facilidade.
  • O histórico de seus relacionamentos passados é conturbado.
  • Costuma chorar com facilidade e se mostrar sensível.
  • Ele lhe trata como a mulher mais especial do mundo uma hora e depois simplesmente a ignora.
  • Quando está frio com você pode ser muito duro e apontar seus piores defeitos.
  • Ele tem mania de desaparecer um tempo e voltar sem muitas explicações.
  • Ele não consegue dormir na mesma cama que você ou simplesmente volta para a casa dele.
  • Ele tem dificuldade em andar de mãos dadas com você na rua ou de demonstrar afeto em público.
  • Costuma conceder a noite de amor perfeita e depois, simplesmente, mantém um relacionamento de amizade com você.

Se este perfil combina com ele, é necessário tomar uma importante decisão, pois é realmente muito difícil conviver com um tipo assim. Ou seja, se você resolver lutar por este amor, deve:

  • Evitar pressioná-lo ou constrangê-lo.
  • Não se sentir culpada pelo comportamento instável dele.
  • Aprender a ter um relacionamento de liberdade, no qual estejam juntos sem precisarem assumir grandes compromissos ou tomarem decisões muito importantes.
  • Convencê-lo a procurar ajuda e lidar com seu problema de forma construtiva.
  • Valorizar sua autoestima e evitar que isso diminua sua confiança interna.
  • Conversar com ele com muita sinceridade e objetividade.
  • Evitar cuidar dele como se fosse uma criança.
  • Evitar modificar o próprio comportamento para tentar agradá-lo.
  • Saber que não tem o poder de mudá-lo. Isso cabe apenas a ele.

Independentemente das diferenças de gênero, algumas pessoas continuam a olhar para as relações amorosas de forma paradoxal - por um lado, ambicionam encontrar aquela pessoa especial com quem possam formar aquela união com que sonharam, mas, por outro, sentem um medo terrível de perder a sua independência. Mais: insurgem-se de forma muito clara, e às vezes agressiva, contra qualquer comportamento do parceiro que, aos seus olhos, implique uma tentativa de controle. Assumem-se como pessoas de mente aberta, incapazes de condicionar as escolhas da pessoa amada e reivindicam que a relação de compromisso não implique qualquer mudança nas suas escolhas.

Numa perspectiva teórica, estas pessoas são os namorados/ esposos perfeitos, já que vivem sob o lema "vive e deixa viver". Mas na prática as coisas se complicam porque, de um modo geral, para que a relação seja realmente coesa, nenhuma das pessoas pode continuar a fazer todas as escolhas individualmente. Faz muito menos sentido que ele ou ela não estejam dispostos a criar rotinas com o parceiro na medida em que estas choquem com as saídas semanais com os amigos e/ou com todos os outros compromissos que existiam na vida de solteiro.

Em alguns destes casos o que acontece é que a pessoa não possui uma autoestima suficientemente elevada e, em função disso, evita revelar-se. Mostra uma parte de si, como se temesse que, ao revelar as suas maiores fragilidades, pudesse perder a pessoa amada. Não gosta suficientemente de si e sofre com a ideia da rejeição. Muitas vezes só depois da intervenção terapêutica é que a pessoa se dá conta do impacto destas vulnerabilidades na forma como se relaciona do ponto de vista romântico com outros adultos. Ter uma relação marcada pelo compromisso não é apenas ser capaz de a assumir à família e aos amigos. O compromisso requer que coloquemos de lado os nossos medos e nos entreguemos de fato. Implica nos relacionarmos com outra pessoa de forma aberta, franca, disponível sem conhecer de antemão os resultados. Implica conectarmo-nos.

Deixe um comentário