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Perdoar e ser perdoado é igualmente libertador

chave-coracao
  • 04 de Jul de 2017
  • Sheila Almeida
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Não existe ainda uma definição consensual sobre o que é perdão, mas os autores afirmam que o perdão deve ser diferenciado de termos como:

Absolvição: conceito relacionado à Justiça, e que implica perdoar legalmente alguém da pena consequente à transgressão cometida. No entanto, o perdão pode ocorrer independentemente de o sistema jurídico já ter realizado seu julgamento e/ou aplicado punições.

Fazer Vista Grossa: significa aprovar um comportamento que a maioria das pessoas pensa ser errado, que implicaria justificativa para a ofensa, liberando o ofensor de qualquer responsabilidade. Diferentemente dessa ideia, perdoar não é o mesmo que desistir do pleito por justiça ou por tolerância à injustiça.

Desculpas: termo que sugere que o ofensor teve um motivo que justifique ter cometido a afronta. Mesmo que haja motivos razoáveis que expliquem a ofensa, e que esses sejam considerados, perdoar não é somente entender que não houve intencionalidade.

Esquecimento: que traduz a ideia de que a memória da ofensa foi suprimida da consciência. Entretanto, ao perdoar, o indivíduo não deixa de se lembrar da afronta, embora seja possível relembrar a situação de um modo diferente e menos perturbador.

Negação: refere-se a uma indisposição ou incapacidade para perceber que uma afronta tenha ocorrido. Contudo, fingir que nada aconteceu ou que não se sentiu magoado não é o mesmo que perdoar, embora, antes que o perdão seja posto em prática, as pessoas possam inicialmente utilizar esse recurso como forma de evitar entrar em contato com os sentimentos dolorosos eliciados pela afronta.

Reconciliação: sugere a restauração do relacionamento. De fato, para que possa haver reconciliação, deve haver alguma forma de perdão, entretanto, quando se perdoa, não necessariamente deve ocorrer reconciliação.

Em relação a esse último ponto, “a distinção filosófica básica entre perdão e reconciliação é que perdoar envolve a resposta de uma pessoa a uma ofensa, enquanto a reconciliação envolve duas pessoas relacionando-se bem novamente”

Embora teóricos e pesquisadores geralmente concordem sobre o que não é perdão, eles não concordam sobre o que é o perdão, podendo ser identificados ao menos três pontos de discordância: (1) se é um fenômeno intrapessoal ou interpessoal, (2) se está mais relacionado a abrir mão de sentimentos, comportamentos e pensamentos negativos ou se inclui também o acréscimo de elementos positivos ou a substituição daqueles por estes, e (3) em que extensão o perdão é um evento extraordinário – um processo que envolve transformações fundamentais na vida – ou se se trata de algo bastante comum na experiência cotidiana das pessoas.

Alguns estudiosos conceitualizam perdão como um processo interpessoal. Por exemplo, chamam atenção para o fato de que transgressões frequentemente envolvem pessoas próximas (familiares, amigos, colegas de trabalho, cônjuges, etc.). Para esses autores, ter em mente como as pessoas se comportam em relação às outras depois de incidentes e transgressões e quais as fontes e consequências de suas escolhas ao lidar com tais situações é crítico para o entendimento do perdão no contexto de relacionamentos em curso.

Outros autores definem perdão como um processo que basicamente produz uma diminuição na frequência de pensamentos e ações negativas em relação ao ofensor tais estudiosos fazem uma clara distinção entre as ações de livrar-se da amargura e da raiva e a reconciliação com o indivíduo que cometeu a ofensa, sugerindo, desse modo, que as pessoas podem perdoar sem reconciliar-se. Em relação a isso, é importante compreender que, para esses estudiosos, perdoar não requer necessariamente substituir elementos negativos por outros positivos. Em outras palavras, ao perdão bastaria a liberação de ações, sentimentos e comportamentos negativos ou orientados para a vingança.

Há aqueles que defendem a ideia de que perdoar envolve mais do que livrar- se dos aspectos negativos, e acreditam que expressões positivas de sentimentos, pensamentos e comportamentos em relação ao ofensor são essenciais para a concretude do perdão. Baseado nesse raciocínio, a linha que separa perdão de reconciliação pode tornar-se mais tênue. Às vezes, as pessoas que estão ao nosso redor fazem coisas que nos ferem ou com as quais nos sentimos traídos ou, inclusive, agredidos. Em outras ocasiões, somos nós mesmos quem fazemos algo com o que, mais tarde, já não estamos de acordo. Nem sempre é fácil perdoar, mas é muito saudável fazê-lo. Os benefícios do perdão não se estendem apenas aos outros, mas também a nós mesmos.

É muito mais fácil falar sobre o ato de perdoar do que fazê-lo e, no geral, este ato supõe um grande desafio. Às vezes, o perdão pode ser confundido com uma forma de remissão, na qual o que passou é assimilado sem tomar represálias. Mas o perdão é muito mais que isso. Perdoar implica se desprender do que aconteceu.

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