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Personalidade Financeira X Educação Financeira

  • 01 de Abr de 2013
  • Sheila Almeida
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A Personalidade Financeira é entendida como o conjunto de comportamentos duradouros que dizem respeito a como a pessoa lida com dinheiro e valores relacionados. A questão é: como se estrutura a personalidade financeira? A personalidade financeira é gerada pelo aprendizado do indivíduo ao longo das fases de sua vida e autores defendem que há cinco componentes fundamentais que estruturam a forma como uma pessoa lida com dinheiro.

1) Racionalidade de Gastos : o indivíduogasta racionalmente, ou é dado a surtos de consumo? É muito gastador ou muito poupador? Este critério remete ao nível de racionalidade no uso do dinheiro. A pessoa age de forma sensata e controlada com seu dinheiro? Ou será uma gastadora? Quanto do próprio dinheiro a pessoa poupa? Como se sente quando gasta mais do que deveria? Poupa visando objetivos futuros? Faz investimentos? É pão-duro?

2) Tolerância ao Risco: a pessoa compreende a natureza arriscada da vida e a experimenta, ou sua estratégia de lidar com risco é mesmo cheia de medo? É uma pessoa Amante do Risco ou Avesso ao Risco? O risco é parte natural da vida financeira, especialmente no que diz respeito a fazer investimentos. Investir é privar-se de um valor no presente visando um acréscimo nesse valor para o futuro. Mas esse processo envolve risco, uma vez que ao invés de acréscimo, pode haver perdas. A tolerância ao risco está de acordo com a idade e estilo de vida? Precisa aumentar a tolerância ao risco?

3) Tipo de Organização:  a pessoa organiza as coisas a partir de detalhes, minúcias, ou prefere panoramas gerais? É Detalhista ou Generalista? Algumas pessoas são extremamente detalhistas, se atêm a preencher agendas de gastos, diários de vendas, inventários de posses, e sabem dizer com precisão onde está alocado cada centavo de seu patrimônio contábil. Outras pessoas preferem ter “noções gerais”, registrar seus fluxos de caixa na cabeça, pensar o uso do dinheiro em termos de escalas: “Caro”, “Barato”, “Razoável” e não como valores numéricos precisos.

4) Escala de Planejamento: a pessoa vive o imediato, ou pensa a curto, médio ou longo prazo? Em outras palavras: qual o nível de projeção para o futuro? Imediatista, Planejador apressado, Planejador prudente ou Planejador a longo prazo? O foco da questão é o tempo e o futuro. Algumas pessoas vivem apena o hoje, em um eterno presente. Outras não conseguem decidir nada a não ser que levem em consideração suas aposentadorias, dentro de décadas. Outras perguntas relacionadas: Pensa muito no futuro? Acha-se ambicioso? Acha que deveria pensar mais no futuro? Seus planejamentos financeiros costumam dar certo? O pensamento projetado no futuro já o impediu de viver o presente?

5) Adaptação a Mudanças: para a pessoa mais vale regras e previsibilidade, ou é dada a mudanças? É Muito Inovador e Muito Tradicionalista? A economia vive de tendências, ondas. A vida financeira de uma pessoa também tem altos e baixos, que exigem aprendizagem, mudanças. Mudar é se expor, assumir riscos, e exige humildade, abertura. Algumas pessoas detestam mudanças. Outras, detestam rotinas. O indivíduo prefere rotina ou novidades? Sua ansiedade em relação a mudanças é tolerável? Quando algo inédito ocorre, sente-se ameçado ou vê como oportunidade? Levando em conta a idade, padrão de renda e estilo de vida, estaria apto a mudar até que ponto sua vida financeira?

Todas estas reflexões decorrem da Educação Financeira de cada pessoa, e ela pode ser definida como a habilidade que os indivíduos apresentam de fazer escolhas adequadas ao administrar suas finanças pessoais durante o ciclo de sua vida. Estudos informam que, quanto mais cedo se aprende a trabalhar com o dinheiro, melhor. Uma das grandes dificuldades que os pais encontram, no que diz respeito à educação de seus filhos é fazer com que eles entendam o valor do dinheiro.

Em geral, as crianças que dificilmente se interessam pelo assunto podem se tornar adultos incapazes de lidar com as próprias finanças, destacando-se que sempre haverá uma situação de escolhas envolvida em cada ato de consumo. Isto porque as pessoas não foram educadas para perceber o uso do dinheiro como resultado das escolhas que faz, ou a considerar o que deixou de ganhar quando fez uma opção. O modo como cada um lida com o dinheiro, em larga extensão, foi construído até por volta da idade de seis anos.

A Educação Financeira tem dois aspectos podem ser relacionados. São eles:

O Cuidado Materno: estudos mostram que a partir dos quatro meses de idade já é possível iniciar um aprendizado financeiro com o bebê. Nos momentos em que ele chora para querer algo é aconselhável deixá-lo esperar para começar a perceber que nem sempre ele poderá ter o que quer na hora em que deseja. Mas há controvérsias em relação à técnica do ‘deixar chorar’, pois de acordo com algumas correntes se o bebê chora é porque há algo de errado naquele momento que precisa ser sanado para que o bebê se sinta seguro.

Se nos primeiros meses de vida o bebê recebe o que deseja, o que necessita, sente que algo de bom lhe acontece, sente-se feliz. Ao contrário, se fica esperando e chorando, sente que vem do meio externo algo muito ruim, mas que ainda não sabe distinguir.  Autores afirmam que nos quatro primeiros meses de idade o bebê se divide em separar o que é bom do que é mau, por isso deve-se evitar o sentimento ruim, para que tais sentimentos não sejam fixados ao longo de sua vida, e um dos itens mais importantes é justamente não deixar o bebê chorar aguardando algo por muito tempo.

O Meio em que Vive:a personalidade dos indivíduos é formada a partir do meio em que vivem, por isso a criança, desde cedo, aprende como lidar com dinheiro observando como seus pais ou pessoas mais próximas o fazem: que tipo de ações tomam, o que falam, sobre o que reclamam. Os pais devem estar atentos para não reclamarem demais da situação que eles mesmos causaram, e se incomodados devem buscar novas atividades, porque os comentários criam sentimentos nas crianças que podem perdurar na vida adulta. 

Os pais devem dar o exemplo no cuidado com o dinheiro. As crianças captam e acreditam mais naquilo que veem do que naquilo que ouvem, principalmente quando observam aqueles que aparentam ser os mais perfeitos e sábios que eles convivem. A Educação Financeira pode se iniciar a partir dos três anos, porque é aproximadamente nessa idade que a criança começa a pedir, ou exigir, a compra de objetos. Ela já percebe a existência do dinheiro, sabe que seus pais têm esse tal dinheiro que serve para comprar o que deseja.A mesada é uma das ferramentas da educação financeira, e tem como objetivo principal ensinar as crianças a administrar o orçamento.

Pode ser iniciada a partir dos três anos de idade, entretanto antes de se começar a praticá-la, independente da idade em que se começar, é preciso que os pais estabeleçam valores e datas que devem ser cumpridos rigorosamente e deixar claro que o consumo deve ser condizente com a realidade financeira da família. Além disso, negociar, discutir, convencer, explicar cada mudança de etapa faz parte do processo, porque a mesada não pode ser confundida com prêmio, nem tampouco como punição e não deve ser suspensa. Em cada faixa de idade existem etapas do aprendizado referente à mesada e os gastos relacionados a ela:

De 3 a 5 anos:como a noção de tempo para essa faixa de idade é de curtíssimo prazo, o ideal é que se comece com ‘semanadas’. Assim, um pequeno valor pode ser disponibilizado a cada semana, ou poucas moedas, ou uma cédula de baixo valor. Nessa fase, o objetivo é fazer com que se criem hábitos para esperar quando receber e quanto gastar. É possível estimular o surgimento da poupança, sem encará-la como ‘guardar sempre’; apenas deve ser estabelecido um objetivo a ser atingido, com prazo e com pequenos valores. Como as crianças ainda não têm muita noção de valor é preciso ajudá-las na escolha de objetivos realistas.

De 6 a 10 anos: as ’semanadas’ continuam, mas os pais devem estimular o registro dos gastos. Com relação ao valor, sugere-se uma pequena quantia por semana, mas isso deve variar de acordo com a situação financeira de cada família. Nesse contexto deve-se orientar para que 50% do valor da ‘semanada’ seja gasto conforme a criança achar melhor, os pais não devem exercer tanto controle sobre isso. A outra metade deve ser guardada, informando a criança da necessidade da poupança para desejos futuros. Além da mesada, pode-se começar a expor o funcionamento de depósitos de dinheiro, poupanças de curto e médio prazo no sistema bancário, e funcionamento de caixa eletrônico, entre outros.

Dos 11 Aos 14 Anos: pode se dar início às mesadas propriamente ditas. O valor pode ser maior por idade, por mês, de acordo com a situação financeira de cada família, pois nessa fase as mesadas são gastas, com frequência, na cantina da escola. Também podem ser gastas com transporte. Com base no conceito de 50% destinados à poupança já pode ser feita no sistema bancário, e a criança deve ter livre acesso às informações.  Uma das virtudes da mesada é propiciar às crianças que experimentem o susto e a angústia de perder o dinheiro, assim serão ensinadas a evitar, no futuro, tropeços mais graves.

Dos 15 aos 18 anos:o adolescente já tem maturidade para lidar com valores maiores. Deve-se deixar claro o que não está incluso nos gastos da mesada, e continuar estimulando as poupanças. A orientação de mesada deve andar junto com os valores da família. Podem-se incorporar à mesada os gastos com a compra roupas, as despesas fixas, como os lanches na escola ou as despesas flexíveis, como os eventuais presentes de aniversário para amigos e roupas ou despesas com diversão, como cinema e baladas. A partir dessa aprendizagem todos terão capacidade de elaborar um orçamento. Nessa fase também é importante estimular os jovens a buscarem um estágio, um trabalho, para que se antecipem à independência da mesada.

A partir deste ponto o adulto aprende que o planejamento financeiro é um processo racional de administrar a renda, os investimentos, as despesas, o patrimônio e as dívidas, objetivando tornar realidade os sonhos, desejos e objetivos. Para compreender o conceito de planejamento financeiro é preciso desmembrá-lo em planejamento e finanças. Planejamento significa traçar metas, elaborar planos direcionados a peculiaridades do projeto que se almeja por em prática. Já as finanças são um método de administração dos recursos disponíveis e ao juntar os dois conceitos entende-se que o planejamento financeiro é o ato de estabelecer o modo pelo qual os objetivos financeiros podem ser alcançados.

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