Aqui você se encontra!

Relações Amorosas e a Inveja

mulher-olhando
  • 13 de out de 2015
  • Sheila Almeida
  • 613 Visualizações
  • Seja o primeiro a comentar

Geralmente as pessoas não gostam muito de pensar que possam sentir inveja, muito menos de alguém que lhe seja bem próximo. Porém, a realidade ensina exatamente o inverso: o sentimento ocorre mais frequentemente entre os que têm convívio íntimo. A inveja deriva da tendência das pessoas a se compararem: elas se sentem diminuídas, humilhadas, quando alguém tem algo a mais. A inveja costuma ser mais intensa quando se considera que o outro não deveria ter mais, pois é da mesma faixa etária, da mesma classe social, do mesmo grau de escolaridade, com um conhecimento equivalente...

Talvez a primeira manifestação da inveja aconteça entre irmãos. Cada um tem suas características e, é claro, sempre um se destaca mais pela beleza, inteligência, habilidade no trato social ou na área profissional e financeira. Nesse caso, como em tantos outros, a inveja se acopla ao ciúme: irmãos disputam o amor dos mesmos pais e o anseio de serem o preferido gera uma inevitável rivalidade. A tensão cresce e a hostilidade invejosa se manifesta de modo claro justamente quando um deles consegue obter melhores resultados ao longo dos anos da vida.

Aquele que se sente por baixo, perdedor nessa disputa, experimenta uma mistura de sentimentos: antes de mais nada, sente-se humilhado, ou seja, ferido na vaidade (esse anseio que todos têm de se destacar); ao se reconhecer por baixo, sente raiva, o que determina o surgimento de reações agressivas sutis ou frontais. Quase toda hostilidade gratuita deriva da inveja.

Ao longo da vida adulta, quase todos continuam a se comparar com aqueles com quem se cruza, especialmente com os que são considerados concorrentes. Sempre que as pessoas se sentem perdedores nessa comparação experimentam a desagradável sensação de humilhação que pode gerar hostilidade ou, naqueles mais responsáveis, um afastamento que pretende exatamente evitar a manifestação agressiva. Ainda que haja o afastamento, o desconforto íntimo de ter se sentido por baixo, perdedor, continua a atormentar a mente do que sentiu inveja durante algum tempo.

Também pode-se observar que a inveja permeia muitas das relações amorosas. Isso acontece por inúmeras razões. A inveja deriva da admiração: o indivíduo se compara e considero o outro mais bem dotado e admirável. Entretanto o problema é que o amor também deriva da admiração e se as pessoas envolvidas sentimentalmente não se acautelarem conviverão com os dois sentimentos ao mesmo tempo.

A única saída possível seria o avanço pessoal: através do convívio, as pessoas poderiam aprender umas com as outras o que não sabem e admiram. Uma boa parte dos homens e das mulheres sentem inveja das propriedades do sexo oposto: muitos homens invejam características  femininas e uma boa parte das mulheres, ao longo da infância, refletiram sobre sua condição e concluíram que a dos meninos era melhor.

Isso está em mudança graças aos avanços para um mundo mais unissex; porém, muitos são os resíduos desse tipo de desconforto diante das diferenças entre os sexos: os homens mais machistas são exatamente os mais invejosos; não perdem uma oportunidade de falar das limitações e fraquezas femininas; e isso é óbvia manifestação invejosa. As mulheres que não gostam de sua condição por considerá-la inferior hostilizam seus parceiros, não vibram com o sucesso deles e não raramente se recusam à intimidade, sempre com o intuito de depreciar e agredir aquele que é, ao mesmo tempo, objeto do amor e da inveja. As afinidades e a boa aceitação da própria condição são requisitos para atenuar as chances de inveja entre os parceiros.

Deixe um comentário