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Sabe o que aconteceu no workshop gratuito “culpa e suas causas” realizado pela religare?

  • 31 de out de 2013
  • Sheila Almeida
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Esse encontro aconteceu no sábado, dia 26 de outubro, das 9h às 18h, e foi dividido em quatro etapas. Na primeira fase foram compartilhadas com os participantes as principais características do sentimento de culpa, quando foi visto que quase sempre se chega na verdade errando,  e o que deve importar mesmo é a experiência adquirida e o crescimento obtido através do erro,  porque sentir-se culpado é  sentir-se  portador  de  um sentimento de ser indigno, mau, ruim, e que carrega consigo remorso e censura. É uma equação: raiva + mágoas reprimidas = culpa = autopunição. Assim ficam ressaltadas características como preocupação excessiva com a opinião dos outros; não se considerar digno de aceitar o que os outros dão; falar repetidamente sobre o que motivou a sentir culpa; raiva reprimida; dificuldade em assumir responsabilidade pelos próprios atos; sentir-se rejeitado; responsabilizar o outro pelo próprio sofrimento, entre outras. O mais indicado sempre é responsabilizar-se e não se culpar.

No segundo momento foram vistos os elementos geradores de culpa, que são, entre outros, religião, regras, comparações, preconceitos, morte, inflexibilidade, superproteção, abusos, abandono, acusações, raiva, dinheiro, julgamento, crítica, necessidade de agradar, sentimento de impotência, medo, prazer, aproveitando-se a ocasião para discutir com as pessoas como viam e viviam esses elementos em suas vidas e como os afetava, buscando explorar um pouco mais sobre o que gerou a culpa em cada um que quisesse compartilhar, para que todos pudessem perceber que a origem da culpa pode ser qualquer um desses elementos ou serem vários ao mesmo tempo concluindo que listar as nossas culpas ajuda a compreender melhor os próprios sentimentos e conflitos gerados por ela, ajudando assim a aprofundar o próprio autoconhecimento.

Em um terceiro momento o grupo participante analisou, junto com a Coordenadora, Drª Sheila Almeida, as consequências da culpa na nossa vida. Viu-se que o sentimento de culpa torna a pessoa prisioneira de uma ideia fixa e que é a única causa de doenças mentais de origem emocional. As consequências de guardar o sentimento de culpa vão desde tratar mal os outros, a viver encontrando culpados para tudo, além de reclamar sempre. Também as consequências da culpa podem levar a depressão, alcoolismo, vício em drogas e isolamento, além de estagnação, submissão, sofrimento, dificuldade em impor limites, dizer não, conflitos internos e nas relações, culminando com a destruição da autoestima e  do amor-próprio. E isso ocorre, porque com a culpa, está sempre presente a necessidade, ainda que inconsciente, de Autopunição. Nesta etapa algumas pessoas trouxeram depoimentos comoventes de experiências vividas em que a culpa causou  muita dor e sofrimento, e outras em que a culpa pôde ser afastada de suas vidas.  Com os depoimentos  cumpria-se um dos principais objetivos deste Projeto Social da Religare, que é propiciar um espaço de acolhimento e compartilhamento das questões humanos,  com o apoio de um profissional que poderá usar do aconselhamento para esclarecer algumas questões existenciais...

Finalizando, abordou-se o aspecto da autopunição e da culpa , na quarta etapa, quando se viu que a  culpa nasce da necessidade de atender e corresponder às condutas da sociedade. Entretanto, os fatores da culpa são sempre pessoais e variáveis, e, muito embora todos considerem  a culpa responsável por grandes sofrimentos psicológicos, percebem que é  um dos sentimentos mais arraigados dentro de nós e que se esconde atrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nosso tédio e angústias. Analisou-se que a  base da grande tortura da culpa é a frustração pela distância entre o ser real (que fomos ao errar) e o ser ideal (a imagem de como nós deveríamos ter sido). É a tristeza por não sermos perfeitos, por não sermos infalíveis, que traz um profundo sentimento de impotência, e  o mais grave é que aprendemos que o sentimento de culpa é uma virtude, quando na verdade virtude é responsabilizar-se pelos seus atos e corrigi-los. Algumas pessoas  não acreditam que os sentimentos de culpa são castigo suficiente para o seu mal-estar e não levam em consideração que a autopunição, na grande maioria das vezes, pode machucar ainda mais a pessoa que vive com a culpa. Na medida em que a punição sobrecarrega a mente com o sentimento negativo, toda a aprendizagem a partir da experiência e do sentimento de negatividade será distorcida ou perdida. E que as únicas coisas que realmente são prejudicadas quando a punição é demasiado dura, são o auto-respeito e consciência de  si.
 

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