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Você já se sentiu ofendido?

flor-mao
  • 18 de Jul de 2017
  • Sheila Almeida
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São grandes as chances de que as pessoas se sintam ofendidas, magoadas ou injustiçadas em graus variados, ao longo da vida. Estudos apontam que muito do que as pessoas experimentam como injustiça e mágoa é parte da rotina dos relacionamentos que se dão em família, na escola e no trabalho, ocasionado, frequentemente, por aqueles considerados muito próximos. Esse dado serve de justificativa para se começar a pensar nos benefícios de se conhecer mais sobre o perdão interpessoal, que pode ser encarado como uma alternativa àquelas respostas que envolvem retaliação, vingança ou revanche. Tais ações acarretam, muitas vezes, (mais) consequências negativas irreparáveis, especialmente se pensarmos que a espécie humana é marcadamente gregária e interdependente. E que, portanto, tem no relacionamento estabelecido entre os seus – e mantido, apesar de adversidades – uma fonte importante de suporte. Vide, por exemplo, a importância atribuída à instituição familiar e às amizades.

Os benefícios que o comportamento de perdoar pode produzir englobam aspectos físicos, psicológicos e mesmo espirituais. O perdão pode afetar a saúde física das pessoas, uma vez que o “não perdão” – entendido como a manutenção de ressentimento em relação ao ofensor – gera um estresse consideravelmente elevado e frequente, que pode levar a pessoa ressentida a experimentar desordens nos sistemas imunológico e cardiovascular, por exemplo. O perdão tem implicações positivas para o desenvolvimento emocional e psicológico, havendo inclusive pesquisas que apontam que quanto maior a disposição em perdoar, menores os níveis de ansiedade, expressão da raiva, e depressão, e maiores os níveis de bem-estar.

Além disso, há pesquisas que sugerem que o perdão implique numa configuração de emoções positivas (empatia, simpatia, compaixão, ou amor) contra emoções negativas relacionadas à ofensa sofrida, funcionando, deste modo, como uma estratégia de enfrentamento para reduzir reações de estresse a uma transgressão e promover resiliência. Por fim, o perdão pode estar associado com uma melhor saúde espiritual uma vez que, experimentar, e expressar perdão pode produzir mais paz, pontos de vista harmoniosos, mesmo para aqueles que não são religiosos, podendo haver a partir daí, um incremento na espiritualidade dos indivíduos. O perdão ocorre somente entre pessoas – sendo, portanto, um processo interpessoal – e não entre pessoas e forças da natureza, situações e eventos. Em outras palavras, o perdão é uma atitude por parte de alguém que sofreu uma afronta, e é direcionado àquele que praticou a ofensa.

É importante entender que perdão não é o mesmo que esquecimento; desistência da busca por justiça; e reconciliação. Esquecimento implica que a memória da ofensa seja suprimida da consciência. Entretanto, ao perdoar não deixaremos de nos lembrar da afronta, mas torna-se possível relembrar a situação de um modo diferente e menos perturbador. Reconciliação, por sua vez, sugere a restauração do relacionamento. Para que possa haver reconciliação deve haver alguma forma de perdão, entretanto, para perdoarmos, não necessariamente deve ocorrer reconciliação (dito de outro modo, é possível que se perdoe, mas que não se deseje manter o relacionamento com o ofensor). Em relação a este último ponto, a distinção básica entre perdão e reconciliação é que perdoar envolve a resposta de uma pessoa a uma ofensa. Reconciliação envolve duas pessoas relacionando-se bem novamente.

Perdão é uma atitude moral na qual uma pessoa considera abdicar do direito ao ressentimento, julgamentos negativos, e comportamentos negativos para com a outra pessoa que a ofendeu injustamente, e, ao mesmo tempo, nutrir sentimentos imerecidos de compaixão, misericórdia, e possivelmente amor para com o ofensor. Nesta definição, é importante enfatizar alguns aspectos: a ofensa é considerada injusta e infligida por outra pessoa; o perdão é uma escolha ou disposição por parte da vítima, e não uma obrigação, uma vez que a pessoa ofendida tem direito a ressentir-se; e a nova postura da pessoa ofendida inclui mudanças em três dimensões em relação ao ofensor: nos sentimentos (superação do ressentimento por meio da compaixão), nos pensamentos (superação da condenação/julgamento negativo por meio do respeito e/ou generosidade), e no comportamento (superação da indiferença ou tendência à vingança, por meio de um senso de boa vontade, ou mesmo tolerância).

Em outras palavras, perdoar é um processo que se desenrola no tempo, e, portanto varia de pessoa para pessoa, e envolve a redução de pensamentos, sentimentos e comportamentos positivos em relação ao ofensor. Se uma pessoa envolvida no processo de perdão, consegue ao menos reduzir os comportamentos negativos (como por exemplo, evitar consistentemente o ofensor em diversos ambientes e situações; ou tentar vingar-se), reduzir os pensamentos negativos (como por exemplo, julgar o ofensor insistentemente de modo negativo, mesmo em face de informações novas e contrárias) e reduzir os sentimentos negativos (como por exemplo, a raiva) para com o ofensor, podemos dizer que ela está progredindo em seu perdão, já que essa nova atitude já é um tanto distante de uma postura de ‘não perdão’ ou ressentimento. Se essa mesma pessoa consegue, além dessas mudanças, nutrir bons sentimentos, julgamentos mais equilibrados e comportamentos de aproximação em relação ao ofensor, podemos dizer que ela está cada vez mais próxima de um ‘perdão’ completo. Que fique claro, que não se enfatiza a ideia de um perdão ideal, muito pelo contrário, não há perdão ideal, há pessoas em diferentes momentos do processo!

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